A mulher na mídia: questões de representatividade

Mulher Maravilha foi mais visto que Logan e Guardiões da Galáxia Vol. 2. 2017/Pôster de divulgação

O assunto do protagonismo feminino em longas, por mais atual que seja, ainda parece incomodar alguns. Dúvidas ou preconceito?

O filme da Mulher Maravilha prova questões de preconceito, o qual Gal Gadot teve que passar. Por não ter seios grandes ou por ser magra, não atendendo as características das quais as amazonas eram vistas, fez com que os fãs enviassem quantidades absurdas de mensagens negativas ignorando o talento da atriz e focando em seu corpo.

Duas séries (Wonder Woman, de 2011, e Amazon, de 2012) e um filme (Mulher Maravilha, de 2007) já haviam sido cancelados antes mesmo de irem ao ar, enquanto temos uma ampla quantidade de atores que interpretaram o Batman e o Superman. O novo filme, portanto, pode se considerar uma conquista da personagem, por não só trazer uma atriz talentosíssima como protagonista, mas por trazer também uma mulher dirigindo o longa. Patty Jenkins mostra que mulheres podem ocupar dos mais diferentes cargos, nos bastidores ou nas telonas, e ainda arrasarem nas bilheterias.

Nem todos os filmes conseguem uma boa bilheteria e foi o aconteceu com os filmes Elektra (2005), estrelado por Jennifer Garner e Mulher Gato (2004), com Halle Barry. O medo parece ter se alastrado por Hollywood desde então e a culpa acabou caindo nas protagonistas femininas por falta de novos filmes com também protagonistas femininas. Não são mulheres que tornam o longa fracasso, mas a história. Exemplo disso seria o fracasso do terceiro filme da saga do Homem de Ferro, com Robert Downey Jr. como protagonista, ou até mesmo Demolidor, estrelado pelo Ben Affleck. Algumas produções até tentaram introduzir mulheres como protagonistas, que seria o caso de Scarlett Johansson no papel de Natasha Romanoff, a Viúva-Negra, em Os Vingadores (2012), mas ainda assim o mesmo não foi aprovado no Teste de Bechdel¹, pois mesmo contendo uma mulher como protagonista, acabou não tendo tanta importância e a julgaram apenas pela sua beleza.

¹ Criado pela cartunista Alison Bechdel, em 1985, afins de mostrar como Hollywood sub-representa as mulheres, o teste se questiona se uma obra possui duas mulheres (com nomes) que conversam entre si e que o assunto não seja um homem. Se um longa passar nessas três etapas, o mesmo apresenta índices mais altos de igualdade entre gêneros. Vale ressaltar que o mesmo não vale apenas para o cinema, mas se aplica também para outras mídias.

Sex symbol ou donzela indefesa são padrões que estão ultrapassados e, segundo pesquisas realizadas no ano de 2016 pelo The Center for the Study of Women in Television and Film da universidade de San Diego, o índice de protagonistas femininas tende a crescer. De cem filmes no top de maiores bilheterias, 29% foram com mulheres levando a trama.

Tendo falado sobre filmes, vale ressaltar que muitas histórias adaptadas cinematograficamente vêm de livros, histórias em quadrinhos, games, entreoutros. Ou seja, tudo começa na história. Um exemplo disso é o livro A Resposta de Kathryn Stockett, onde foi feito a adaptação cinematográfica Histórias Cruzadas. O mais interessante é que o mesmo tem mulheres como protagonistas, indicações ao Oscar, incluindo o de melhor filme e rendeu uma estatueta de atriz coadjuvante para a atriz Octavia Spencer. O filme ainda conta com Emma Stone e Viola Davis no elenco. Se você escreve sobre outros gêneros ressalvados não-ficções e possui dúvidas depois de tudo que foi dito, veja os exemplos diversos abaixo:

Para os fãs e escritores do terror, a atriz Natalie Portman com sua personagem Nina em Cisne Negro mostra como uma protagonista feminina pode conduzir uma história cheia de terror psicológico de forma magnifica e ainda levar uma estatueta do Oscar para casa. Já os mais chegados em comédia, as atrizes Sandra Bullock e Melissa Mccarthy mostraram como protagonistas femininas podem conduzir uma comédia policial com suas habilidades, sem estereótipos, onde ambas são policias completamente diferentes uma da outra.

Tem aqueles que suspiram ao ler um “Eu te amo” e, para esses, a atriz Jennifer Garner assumiu a frente da trama em De Repente 30, onde a personagem ocupa um importante cargo em uma revista. Jennifer Lawrence por sua vez, mostrou em um único papel como uma protagonista feminina pode levar tramas de aventura, ação, fantasia e ficção científica interpretando a personagem Katniss Everdeen na saga Jogos Vorazes, que mostra coragem para desafiar um sistema inteiro, fazendo com que o segundo filme da saga, Em Chamas, atingisse o topo das bilheterias. Vale lembrar que os filmes foram adaptados da trilogia de livros homônima.

O protagonismo feminino chegou também nas animações, como Merida, de Valente, Elza, de Frozen, e Moana do filme Moana: Um mar de aventuras. Os desenhos mostram mulheres fortes enfrentando dificuldades diferentes, das quais não precisam de um príncipe encantado para serem salvas, abordando temas como discriminação, individualidade e empoderamento.

Exemplos são o que não faltam, mas, em especial, uma não poderia ficar de fora: Hermione Granger, personagem vivida pela atriz Emma Watson, cérebro da equipe, dividindo os holofotes com Harry (Daniel Radcliffe) e Rony (Rupert Grint), em Harry Potter.

Quando você ler ou escutar as frases “você luta como uma garota” ou “mulher é o sexo frágil”, lembre-se que existem ótimas histórias que provam o contrário. Alice, de Resident Evil; Mamba Negra/A Noiva, de Kill Bill; Bridget Jones, de O diário de Bridget Jones; Elizabeth Bennett, do clássico Orgulho e Preconceito; e a própria Mulher Maravilha, já citada no inicio da matéria. Diante disso, personagens femininas não serão o problema para suas futuras histórias. Escreva sem medo, confie, acredite e reflita se a sua história estaria dentro da proposta do Teste de Bechdel para dar a elas a igualdade de gênero que está faltando.

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Eduardo Roberto
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Colunista do site Entrelinhas, estudante de Publicidade e Propaganda, é desenhista amador, escritor, nerd/geek, e aos 19 anos é natural de São Paulo.