A felicidade plena segundo Epicuro

Busto atribuído a Epicuro (341 a.C. - 270 a.C.).

O que é ser feliz? Como obter a verdadeira felicidade? Como ser feliz?

Perguntas frequentes, principalmente em momentos de crises onde tudo o que é possível enxergar são os sofrimentos, a felicidade surge como tema central de questionamento constante durante toda a história da humanidade. De fato, não existem fórmulas pré-estabelecidas com passos para se alcançar a verdadeira felicidade. Entretanto, fonte de debate por muitos séculos, alguns pensadores criaram diversas definições sobre a felicidade, entre eles Epicuro.

Epicuro foi um filósofo grego que viveu no período helenístico; era conhecido como “Profeta do Prazer”. Aos 35 anos estabeleceu-se em Atenas, onde fundou sua escola filosófica situada em um jardim junto aos muros da cidade, posteriormente conhecida como “O Jardim de Epicuro”. Sua escola ficou conhecida pelo ensino e também pelo cultivo da amizade, a Amizade Epicurista, da qual participavam não apenas homens, mas também mulheres. A base da filosofia de Epicuro vinha de sua busca pela ataraxia.

Ataraxia é um termo grego traduzido como “ausência de inquietude”, “tranquilidade de ânimo”. Demócrito usou este termo ao afirmar “A felicidade é prazer, bem-estar, harmonia, simetria e ataraxia”, mas foram os epicuristas, os céticos e os estoicos que puseram a ataraxia no centro de seu pensamento. Epicuro, precursor do epicurismo, tratou esse tema em especial. Segundo ele a felicidade é obtida através da ausência do pesar/dor e pela ataraxia. Ela é o equilíbrio permanente na alma e no corpo e seria necessária para obter a felicidade, tal como a ausência do pesar, ausência do temor e a ausência das paixões; todas elas constituindo a liberdade.

“As pessoas felizes lembram o passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo”.

A busca pelo prazer fazia parte de sua filosofia, essencial para a felicidade plena e constante. No entanto, essa busca se limitava a campos moderados. Ele acreditava que o homem feliz não era aquele que vivenciava prazeres intensos, mas o que conseguia evitar o sofrimento.

“Dizemos que o prazer é o começo e o fim da vida feliz. Com efeito, por um lado, o prazer é reconhecido por nós como o bem primeiro e conforme à nossa natureza e dele partimos para determinar o que é preciso escolher o que é preciso rejeitar; de outro, é sempre a ele que chegamos, pois são nossas afecções que servem de regra para medir e apreciar todo e qualquer bem por mais complexo que seja”. – Epicuro, Máximas Fundamentais.

Como “Profeta do Prazer”, para Epicuro a busca pelo prazer tem início em uma falta, natural ou frívola. Os desejos podem ser divididos em:

  • Desejos naturais e necessários: são os desejos que livram o corpo da dor da fome e da sede;
  • Desejos naturais e não necessários: são os desejos que surgem da vontade de variar, por exemplo o alimento ou a bebida, para variar também o prazer do corpo;
  • Desejos não naturais e não necessários: são os que nascem de uma opinião falsa sobre o mundo, incentivados por sentimentos de vaidade, orgulho ou inveja.

Para Epicuro através da ausência das dores se alcançava o ápice do prazer corporal. Obviamente, certas dores são incontroláveis, mas ouvindo seu corpo, pensando, aprendendo sobre o que ele está dizendo, podemos encontrar e entender os prazeres; e reduzir suas dores. Através do autoconhecimento. O homem sábio, por tanto, seria aquele que entende que o bem supremo está nas pequenas coisas, simples e fácies de obter, e que o mal supremo vem dos desejos frívolos e dos sofrimentos que poderiam ser evitados. Substituindo o bem pelo prazer e o mal pela dor, de forma que a felicidade consiste em assegurar-se com o máximo de prazer e o mínimo de dores, por meio da saúde do corpo e do espírito.

 “Nada é suficiente para quem o suficiente é pouco”.

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Vanessa Fontoura
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Natural de Vitoria do Espírito Santo, 22 anos, formada em magistério, estudante, colunista e escritora, é apaixonada pelos mistérios da vida e as peculiaridades da raça humana.

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