ComicCon: Um reduto geek

Abertura da CCXP 2017 em São Paulo, um evento feito pelo público geek e para o público geek. 2017/Aline Doria

O nicho da cultura geek cresceu consideravelmente e se tornou uma parte importante no mercado do entretenimento com todo o leque dos filmes, séries, quadrinhos, jogos, animes e itens colecionáveis relacionados. O público alvo dessa fatia do mercado é tão amplo que abrange diversas gerações: desde as mais velhas que acompanham o cenário das HQs desde o inicio, as histórias de heróis e evolução dos jogos desde muito tempo, até as gerações mais novas que herdaram o gosto dos avós, dos pais ou tiveram contato com esse universo geek e cultivaram seus gostos.

As ComicCon são convenções internacionais multigênero de entretenimento que reúnem todas essas categorias em uma grande feira junto com lançamentos e conteúdos exclusivos. Em 2014 a equipe do site Omelete junto com os grupos Piziitoys e a agência Chiaroscuro Studios organizaram a primeira convenção brasileira em São Paulo – SP, seguindo o modelo de San Diego. Esse evento era uma tentativa pioneira e ousada para o Brasil diante da repercussão das grandes feiras geeks ao redor do mundo. Em sua edição mais recente (2017) se tornou a maior ComicCon do mundo com um sucesso de público crescente agregando novos frequentadores a cada ano.

Os painéis apresentados no auditório Cinemark trazem produtores e atores convidados pra conversar com o público sobre as novidades dos grandes estúdios como Warner, Fox, Sony Pictures, Marvel, Netflix, Disney, Globo; além de exibir trechos de materiais inéditos. São exibidos pequenas cenas de novos filmes, séries, novos trailers ou ainda uma pré estréia.

Estande dedicado à uma exposição do Jurassic Park. 2017/Aline Doria

A CCXP, que começou desacreditada, já contou com nomes nacionais e internacionais de expressão como Misha Collins e Mark Pellegrino da série Supernatural, Jason Momoa de Game of Thrones, Vin Diesel, Evanna Lynch, Mauricio de Souza e Mônica apresentando as novidades do gibi para as telas, Tatá Werneck, Marina Ruy Barbosa, Bruna Marquezine, entre vários outros. Assistir os conteúdos dos painéis junto com outros que dividem o mesmo amor pelos filmes e artistas apresentados ali, proporciona emoções únicas compartilhadas com todos através de uma energia que contagia todo o Cinemark.

A edição de 2017 homenageou a atriz nacional Fernanda Montenegro. A Disney exibiu a pré estréia da animação “Viva, a vida é uma festa” durante os painéis de sábado. Além disso, uma das presenças mais marcantes do ano foi Will Smith que esteve no evento pela Netflix para divulgar o filme Bright, com uma pré estréia surpresa para o público que esteve no auditório domingo durante o painel do estúdio. O ator deu um show de simpatia ao andar pelo pavilhão vestindo uma roupa de Orc até o estande da Netflix, quando revelou sua identidade para o público do local.

A expectativa pelos anúncios especiais do auditório criam expectativas nas pessoas ano após ano deixando os fãs ansiosos aguardando os artistas que estarão em cada edição.

Embora a vinda dos atores seja muito aguardada e os fãs esperem o ano inteiro pela oportunidade de estar próximo de seu ídolo, a convenção é muito mais que isso. Dentro da feira há estandes desses mesmos estúdios e muitos outros com atividades interativas. Alguns deles trazem jogos entre os visitantes que proporcionam amizades inusitadas entre as pessoas que estão ali no momento e isso é algo maravilhoso: trata-se de uma integração entre outros entusiastas da cultura pop com uma vibração e envolvimento únicos, somente quem é apaixonado por esse universo poderia se entrosar tanto com outras pessoas desconhecidas mas que estão ali com o mesmo objetivo de vivenciar essa experiência geek.

As exposições exclusivas, setores temáticos que aproximam o fã do universo que eles amam e lojinhas geram uma imersão durante o evento ao reconstruir cenários e situações. Assim, a visita ganha outra perspectiva.

Uma parte importante da feira é o Artist Alley, a “ala dos artistas”, um setor aberto para o visitante conversar com o expositor ao mesmo tempo que a pessoa pouco conhecida tem a oportunidade de mostrar seu trabalho para um grande público. É um espaço muito legal com uma grande variedade de obras pessoais tanto originais quanto referentes ao contexto geek, com uma ótima oportunidade de aproximação entre o fã e os artistas, especialmente para conversar com cada um e ganhar desenhos exclusivos ou autógrafos. A experiência de encontrar pertinho o autor de algo que você acompanha e poder dizer o quanto gosta daquilo é muito especial, ou ainda dar uma força para quem está começando, e esse setor proporciona isso de uma forma completamente livre.

Cosplay de Pennywilse na CCXP São Paulo. 2017/Aline Doria

Uma atração a parte são os cosplayers. Alguns se dedicam o ano inteiro para participar do concurso e fazem um trabalho excelente, para outros a intenção é mais descontraída apenas para expressar seu amor e identificação por um personagem montando seu cosplay por diversão. Todos são por si só uma diversão extra da CCXP ao entreter o público e divertir a si mesmos e aos outros. O cosplay tem uma importância especial para cada um e trabalhar nele desde o começo montando parte por parte é ainda mais envolvente. O cosplayer vive seu próprio mundo naquele momento.

A CCXP é um evento feito pelo público geek e para o público geek. Embora cresça a cada ano aumentando também a quantidade de críticas devido aos problemas típicos de um evento de grande porte, cada visitante está lá com o mesmo envolvimento pela cultura pop e nenhum nada atrapalha o envolvimento do público. A CCXP já se consolidou junto aos grandes eventos ao redor do mundo e tem muito a ensinar sobre amizade e integração.

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Aline Doria
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Natural do interior de São Paulo, aos 29 anos é radialista pela Unesp, colunista da revista, apaixonada pela cultura geek, escritora, leitora e seriadora compulsiva.

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