Esporte à Meia-noite: o papel dos programas sociais no combate à violência

Carlos Henrique Moraes é professor de Educação Física e coordena o núcleo de um programa social do Governo do Distrito Federal, em Planaltina: o Esporte à Meia-Noite, que tem como principal objetivo o combate à violência infantojuvenil através da educação.

A fim de prevenir os atos infracionais entre jovens em situação de vulnerabilidade social, o Esporte à Meia-Noite atende cerca de 600 meninos e meninas. Através da prática de esportes, os adolescentes possuem a oportunidade de melhorar a convivência no meio social e no meio familiar.

Nunca é tarde para recomeçar. Estamos semeando aqui mais um esforço pela cultura de paz no Distrito Federal“, destaca a subsecretária de Segurança Cidadã sobre o projeto, Joana Mello, numa entrevista em agosto de 2016.

O projeto foi criado em junho de 1999 e por muitos anos foi tido como referência no Distrito Federal. Esporte à Meia-Noite já recebeu, inclusive, diversos prêmios nacionais e internacionais.

Um dos núcleos do projeto se localiza na vila de Buritis II, em Planaltina. O bairro, também chamado pejorativamente de Pombal, possui inúmeros jovens envolvidos com o tráfico de drogas e em situação de vulnerabilidade social. Cada vez mais cedo meninos e meninas se envolvem com o tráfico, havendo até mesmo crianças entre 8 e 12 anos nesse meio.

Segundo Moraes, em 2006 o projeto chegou a contar com uma equipe multidisciplinar composta de seis policiais militares, cinco bombeiros, cinco professores de educação física, um motorista e uma assistente social.

No entanto, 9 anos depois, com as mudanças drásticas ocorridas no governo, cerca de 80% dos colaboradores e servidores foram devolvidos às secretarias de origem.

Mesmo com pouquíssimas condições, o programa continuou funcionando durante a madrugada. Porém, devido à violência noturna e a falta de policiamento na vila de Buritis, o Esporte à Meia-Noite foi obrigado a fechar as portas.

Nós estamos há um mês sem funcionar, mas estamos há mais de um ano sem policiamento”, diz o professor João Romeiro. O técnico em refrigeração Leilo Santos também critica: “Está complicado, a galera quer jogar, tem gente para jogar, mas estamos proibidos de jogar devido à falta de policiamento”.

O projeto, aos poucos, encontrou seu espaço novamente. Obteve convênios e parcerias com o Ministério da Educação e ofertou, além do proposto inicialmente (a prática esportiva de futsal, vôlei, basquete, tênis de mesa e futebol), cursos profissionalizantes a partir do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Primeiro Emprego (PRONATEC), como: Cuidador de idosos, Manicure, Cabeleireiro, Porteiro e Vigia, Massagista, Balconista de farmácia, Caixa de supermercado, Libras, Assistente Administrativo, Garçonete, entre outros.

Outra questão importante que possui preocupação no projeto, como mencionado por Carlos Moraes, é em relação às mulheres em situação de violência doméstica e vulnerabilidade social. Por isso foi criado um Programa chamado Mulheres Mil, que atende dezenas de mulheres e oferece, inclusive, uma brinquedoteca para acomodar crianças pequenas.

Rita e Letícia Oliveira, mãe e filha, em agosto de 2017, formaram-se juntas, embora em cursos diferentes. Rita, 41 anos, babá, formou-se como manicure e sua filha, Letícia, de 15 anos, como assistente administrativa.

Para mim é uma vitória” – fala Rita, “Agora eu tenho uma profissão e vou poder trabalhar com diploma“.

Os cursos oferecidos pelo projeto são gratuitos e renovam a esperança em jovens em situação de vulnerabilidade. Estudantes inscritos no cadastro único de programas sociais do governo federal podem ganhar, também, uma bolsa de até R$360.

A última formatura realizada contou com a presença do subsecretário de Educação Básica, Daniel Crepaldi, que discursou para os formandos: “Vocês podem levar esses diplomas para o mercado de trabalho porque eles vão ser importantes para conseguir vagas em uma concorrência muito grande”.

Os interessados em participar do projeto podem tirar suas dúvidas pelo e-mail esporteameianoite@gmail.com ou diretamente em um dos núcleos do projeto, localizados em: Ceilândia, Gama, Guará, Planaltina, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião e Sobradinho II.

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Fernanda Scheffler
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Diretora administrativa da revista e do site Entrelinhas, carioca, 20 anos, técnica administrativa, estudante de psicologia, professora e escritora apaixonada.

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