Mais uma chance ao clichê

2016/Tom Newby/FLICKR

Utilizar-se de um clichê numa obra pode não ser uma coisa tão ruim se bem utilizada. O uso desse tipo de estratégia tem caído no gosto de autores, diretores e derivados.

Triângulos amorosos, dramas escolares ou histórias cheias de elementos místicos são temas constantemente abordados em livros, jogos, filmes e séries. Essa repetição frequente passa a impressão de que a criação de tramas originais é um evento raro e, portanto, as obras que abordam essas situações recebem um título carregado de preconceitos: o de obra clichê. No entanto, clichês continuam a ser produzidos todos os dias, o que leva ao seguinte questionamento: clichês são mesmo os vilões?

O termo clichê foi originado no começo do século XIX para descrever técnicas de impressão que produziam textos ou páginas impressas iguais às originais. Com o tempo o uso da expressão começou a ser utilizado para caracterizar ideias que são usadas repetidamente, lugares comuns e estereótipos. A primeira impressão que a palavra passa não é boa, afinal quem iria ao cinema ver filmes com a mesma história ou jogar um jogo no qual você já imagina o desfecho final?

Utilizar-se de um clichê numa obra pode não ser uma coisa tão ruim se bem utilizada. A estratégia que o autor utiliza para moldar a história pode modificar toda a forma como ela é visualizada e, assim, as formas de interpretações variam, tornando-o um elemento positivo na trama.

O uso desse tipo de estratégia tem caído no gosto de autores, diretores e derivados.

O escritor e professor universitário Luiz Antonio de Assis Brasil associa contos que se iniciam com “Era uma noite escura e chuvosa…” ou com um momento em que o personagem é levado à janela para reflexão com o clichê exaustivo. Rob W. Hart, escritor de best-sellers e editor e colunista de grandes sites e comunidades americanas para escritores, em concordância, lista uma dezenas de clichês a serem evitados como, por exemplo, a indicação na narrativa sobre uma futura virada no roteiro, a famosa síndrome do “escolhido”, desmaios repentinos dos protagonistas para a conveniência da trama ou mensagens misteriosas passadas através de sonhos.

No entanto, tudo consiste no público que a obra pretende ter. A certeza do autor de que o clichê agradará se dá quando o mesmo explora a sua criatividade e pesquisa por elementos que sustentem a ideia, visando fornecer um prato já conhecido, mas com um tempero diferente. A dificuldade pode estar no momento de saber quais clichês usar, quais combinam e quais são descartáveis para aquele público em específico.

Um exemplo disso seriam os clichês com serial-killers, onde o assassino só tem sua identidade revelada no final. “Pânico”, “A Sétima Alma” e outras centenas de filmes existem com essa mesma temática, mas um em especifico que está para ser lançado em outubro nos Estados Unidos, prometendo algo inovador dentro desse estereótipo, seria “A Morte te dá parabéns”. O filme contará com a presença de um assassino que terá sua identidade será revelada apenas no desfecho da trama, porém a protagonista precisará descobrir sua identidade após vivenciar o mesmo dia várias vezes, reprisando-o sempre depois de morrer.

Vale lembrar que a questão do protagonista vivenciar o mesmo dia várias vezes não passa de outro clichê, podendo ser observado em inúmeros trabalhos. O que pode ser considerado inovador nesta história é a situação criada a partir da junção entre esses dois clichês que gerou um grande alvoroço entre os fãs do gênero.

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Eduardo Roberto
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Colunista do site Entrelinhas, estudante de Publicidade e Propaganda, é desenhista amador, escritor, nerd/geek, e aos 19 anos é natural de São Paulo.

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