L.U.B. | A emparedada da Rua Nova

1908/Acervo Fundaj/MEC

A lenda da emparedada da Rua Nova ainda assombra as vielas do local, um dos pontos históricos mais conhecidos de Recife.

Todos os que moram ou já conheceram a capital pernambucana sabem a importância de suas ruas históricas, como é o caso da Rua Nova. Mas o que poucos sabem é que as paredes dos casarões daquela rua já serviram como testemunha de verdadeiras atrocidades.

Em meados do século XIX, Recife recebia diversos comerciantes ricos dispostos a impulsionar o crescimento da capital. Um desses comerciantes se chamava Jaime Favais. De origem portuguesa, era conhecido por ser extremamente grosseiro e vingativo. Jaime era casado com Josefina, e o casal tivera uma única filha chamada Clotilde. Certo dia, a menina engravidou de Leandro, um malandro sedutor. Como se não bastasse, Jaime acaba descobrindo que Leandro também era amante de sua esposa, Josefina.

O comerciante ordenou que seus capangas matassem Leandro. Em resposta a isso, sua esposa acaba enlouquecendo.

Jaime tenta casar sua filha com João, sobrinho seu, mas o rapaz recusa a proposta. Mediante toda aquela situação, Clotilde é condenada ao cruel castigo do emparedamento.

A moça grávida foi enrolada em um lençol branco do qual tentava se livrar compulsivamente – sem resultado, já que seus pés e suas mãos foram amarrados por detrás das costas. Depois disso ela foi colocada no banheiro do sobrado em que morava e, a mando do seu próprio pai, ali foi construída uma parede.

Depois que essa história veio à tona, Jaime fugiu com sua esposa para Portugal. Três anos depois Josefina faleceu, o que fez com que o português retornasse à Recife. As noites de Jaime passaram a ser atormentadas por gemidos de dor e pedidos de socorro abafados. Quem convivia com o comerciante relatava que ele se arrepiava dos pés à cabeça sempre que passava pelo banheiro e que, vez ou outra, via a figura da filha trajando branco e pedindo ajuda. Tudo isso seguiu acontecendo até os últimos dias da vida de Jaime.

Toda essa história é relatada em um livro publicado em 1886, escrito por Joaquim Maria Carneiro Vilela. Há quem diga que o espírito de Clotilde vaga por toda extensão da Rua Nova, e que ela aparece clamando por socorro para quem ousa passar por ali tarde da noite.

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Nicoli Maia
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Possui 17 anos, mora em Recife, é estudante, colunista, sonhadora, apaixonada por História e livros.

1 Comentário

  1. Recife é tão cheia destas lendas urbanas neh? Muito legal ver como a imaginação do nosso povo era tão rica. Que contraste com os dias atuais.

    Ótimo texto. Parabéns! 🙂

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