O tratamento de doenças através da música

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Novos estudos comprovam que a música pode possuir a capacidade de auxiliar no combate a doenças, tendo efeito ativo sobre as células do corpo humano.

A música é elemento primordial, quase obrigatório, presente em todas as culturas. Muitos creem que seu surgimento se deu no início da pré-história, tendo um caráter religioso, ritualista, como uma forma de agradecimento aos deuses.

As multifacetadas e complexas culturas existentes possuem, como forte essência das suas representações como cultura, as várias maneiras de criar e reproduzir músicas. Este é o motivo pelo qual existem tantos estilos, ritmos e gêneros musicais diferentes – alguns tradicionais de uma determinada região, país, contexto social, e outros são complexas manifestações pessoais da singularidade individual.

Darwin declarou que a fala humana não antecedeu a música, mas derivou dela. A música, então, teria origem anterior à própria linguagem humana. Ou seja, a necessidade de comunicação de sentimentos, momentos ou situações acontece desde antes do uso da linguagem como conhecemos. Grande parte disso surge da força neuropsíquica da música. Uma música pode remeter diversas lembranças da vida de alguém ou até, de certo ponto, “influenciar no seu comportamento”.

“O corpo reage às vibrações dos sons. As ondas sonoras são transformadas em reações químicas e impulsos químicos pelo nosso organismo. Como as raízes dos nervos do ouvido são extensamente distribuídas sendo um dos que mais possuem ligações com o cérebro, todas as funções no nosso organismo são influenciadas. Elevando-se através do tálamo (área estacionária que reveza todas as emoções, sensações e sentimentos), a área mestre do cérebro é automaticamente influenciada”.

Em 2010 um estudo publicado pelo site Sage Journals relatou uma experiência realizada em mulheres entre 18 a 20 anos. O primeiro grupo foi exposto a músicas “românticas”, enquanto o segundo grupo ouvia músicas neutras. Cinco minutos depois um rapaz se aproximou dizendo participar de uma pesquisa para o marketing. Durante a pausa na conversa ele pedia o número do telefone das mulheres. O grupo que foi previamente exposto as músicas românticas forneceram o número mais facilmente do que o grupo que escutou músicas neutras.  A pesquisa é discutível, diante das variáveis possíveis, mas diversas outras pesquisas foram/são realizadas sobre a influência da música no comportamento humano e boa parte das pesquisas chegam à mesma conclusão: A música é um dos caminhos mais rápidos e eficazes para se promover o equilíbrio entre o estado físico e emocional do ser humano.

As primeiras experiências com a música, como forma de terapia, remetem ao antigo Egito. No entanto, somente há poucos anos a musicoterapia foi criada. Em definição, é a terapia através da música, utilizando todos os seus elementos – ritmo, som, melodia, timbres e harmonia.

Ela foi oficializada a partir de uma experiência com soldados feridos durante a Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos. Soldados em recuperação foram divididos em dois grupos, um deles se recuperando com música e o outro sem. Pesquisadores perceberam que os que ouviram sons musicais se recuperaram melhor do que o outro grupo. A partir desse momento, músicos e médicos formaram um grupo de pesquisa para estudar os efeitos da música na saúde.

Uma das pesquisas mais recentes são da Indiana University School of Nursing, em Indianapolis, nos Estados Unidos. Os pesquisadores acompanharam um grupo de pacientes com câncer com idades entre 11 e 24 anos enquanto participavam de um projeto que envolvia escrever letras, gravar música e selecionar imagens para fazer um videoclipe.  Os pesquisadores concluíram que o grupo que participou do projeto de musicoterapia demonstrou mais resiliência e capacidade de suportar o tratamento do que um outro grupo que não recebeu musicoterapia.

Uma das musicoterapeutas envolvidas no estudo, Sheri Robb, disse: “Quando tudo parece incerto, canções que eles conhecem e com as quais se identificam fazem com que se sintam conectados”.

No Brasil o Programa de Oncobiologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) também teve sua contribuição com as pesquisas sobre a regressão do câncer pela música. O programa expôs células desenvolvidas sob condições controladas, ligadas ao câncer de mama, à meia hora da Quinta Sinfonia de Beethoven. Uma em cada cinco delas morreu numa experiência que abre uma nova frente contra a doença, por meio de timbres e frequências.

“Esta terapia costuma ser adotada em doenças ligadas a problemas psicológicos, situações que envolvam um componente emocional. Mostramos que, além disso, a música produz um efeito direto sobre as células do nosso organismo” – disse Márcia Capella, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, coordenadora do estudo.

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Vanessa Fontoura
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Natural de Vitoria do Espírito Santo, 22 anos, formada em magistério, estudante, colunista e escritora, é apaixonada pelos mistérios da vida e as peculiaridades da raça humana.